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25 May 2007

NAVALHA NA CARNE

Não
existe o
viciado
se não
houver o
traficante.
Assim como
não existirá o corrompido
se não houver
o corruptor.
O viciado é o doente. O
traficante é o marginal. O
corrompido é o safado. E o corruptor
o bandido desmascarado.
O mal não existirá sem a presença do bem. E o bem morrerá de tédio sem a companhia
do mal.

Um é a cara. O outro a coroa.

A coroa é o sinal de honra, é o cume,
o prêmio, o galardão. É sinal de
regozijo, satisfação, prazer,
contentamento e alegria.

A cara é o atrevimento, a face, a
auto presença e a ousadia. Isto a
leva a cometer crimes contra tudo
e contra todos, indiscriminadamente.

A cara-é-de-pau.

Antes tudo parecia estar perdido. Até
que entrou em cena como se viesse de
um mundo distante, uma força heróica,
determinada a colocar ordem na casa,
acabar com a corrupção, restaurar a
ordem política e social, e algemar quem
nunca pensou ser algemado na vida.

Como uma nuvem negra a PF baixou no
terreiro, arrasou, demoliu, fatigou,
arruinou, abateu e humilhou o
contrabando, o jogo-do-bicho, o tráfico
e o descaminho da pilantragem engravatada,
sandálias-de-couro, pés-de-chinelos,
pés-de- togas e pés-sujos. Chegou e passou a régua
em mais de 5000 meliantes em menos
de 4 anos. A maioria dos governos
anteriores somada à maioria do
governo atual. Todos meliantes
de ontem e de hoje.

O santo-algema desbaratou as quadrilhas,
mostrou a cara dos bandidos: juízes,
governadores, deputados, senadores,
vereadores, ministros, fucionários
públicos, lobistas e todo tipo de
marginais que
assolam o
país.

Foi preciso muito paletó para
esconder as algemas. A PF
juntou as mãos-limpas, ventou
como um hurricane, chupou os
sangue-sugas e aparou as
caras-de-pau com a navalha
afiada.

Enquanto isso, lá na Índia, do alto de
sua sabedoria, sentado na posição de
Lótus, o príncipe Siddartha Gautama,
em paz, a tudo assistia, e via seu santo
nome ser usado em vão. E meditava:

Seu sobrenome "Gautama" quer dizer;
{A MELHOR VACA}. Em sânscrito
significa; "realização, sucesso, liquidação
de um débito, alvo, propósito e meta
alcançada".

E enquanto meditava veio um sujeito,
dublê fracassado de artista internacional,
vulgo Zuleido Veras, bandido brasileiro da
vez, e passou a usar o santo nome Gautama
em vão. E então se deu mal. Foi algemado.

Mas antes de se dar mal o meliante se deu bem;
corrompeu as autoridades e amealhou fortuna
roubando o dinheiro do povo.

A diferença entre o verdadeiro príncipe
Gautama e o meliante Zuleido Veras, é que o
primeiro foi um Buda austero que viveu em
553 antes de Cristo. Um sábio praticante da fé
que deixou a vida palaciana em que nasceu, e
tornou-se um monge e transmissor dos
ensinamentos de retidão e bons costumes
aos seus discípulos.

Já o segundo, o marginal Zuleido Veras
"Gautama", um bunda. Saiu do esgoto
para adentrar os palácios. Usurpou para
o mal o nome de Siddartha, e nada mais
é do que um borra-botas que cresceu dando
golpes nos políticos, comprando-os
com propinas baratas: uísque, gravatas,
togas, relógios, passagens aéreas, passeios
de iate e garotas de programas. Há ainda
alguns dólares, como no caso do Ministro
Silas Rodeau, que rodou a baiana em cima
da propina de 100 mil reais, menos de 50
mil dólares. Um Ministro barato de ser
comprado.

Zuleido Veras "Gautama" usou o nome de
Siddartha para liderar o esquema de fraudes
nas licitações públicas, e deixar insones
todos os outros políticos e empresários que
receberam suas propinas baratas, em troca
de milhões do dinheiro do povo.

Mas enquanto Siddartha Gautama, o
verdadeiro príncipe, meditava, a PF
agia. E agiu tão bem que o Poder gritou
na voz do Vice-presidente do Supremo
Tribunal Federal, Gilmar Mendes,
acusado de ter seu nome incluido na
lista de propinas. "Disse ele:

"Os magistrados não podem ser constrangidos.
Não pode haver vazamento de informações. E
no Brasil não pode haver Estado Policial".

Francamente o povo pergunta!
"ESTADO MARGINAL PODE?"

O que está acontecendo na verdade é que;
o poder econômico mundial liderado pelos
países hegemónicos, aqueles que são os donos
do dinheiro, chegaram a conclusão que a
globalização deu asas ao crime organizado e
ao poder político e econômico do Brasil. A
corrupção interna está tendo mais lucros
que eles, que corrompem o Brasil desde a
sua descoberta por Pedro Álvares Cabral.
Estão se sentindo passados para trás pelos
meliantes brasileiros. Concluiram que o
Poder Judiciário Brasileiro é refém da
corrupção.

Descobriram então pela segunda vez o
OVO DE COLOMBO, aquele que fica em
pé com a base levemente achatada.

Mas felizmente, mesmo com toda a corrupção
os brasileiros têm a sua Polícia Federal. Na
moda, a PF não sai dos noticiários, pois os
bandidos não lhe dão trégua. A PF nasceu
em 1944 no Rio de Janeiro, antiga Capital
Federal. Em 1946 suas atribuições foram
estendidas para todo o Brasil. E em 1960
mudou-se para Brasília junto com a nova
Capital Federal. De lá faz o planejamento
e controle das operações.

Para executar suas missões a PF dispõe de
27 superintendências regionais, 54
delegações de Polícia Federal, 12 postos
avançados, duas bases fluviais e 2 bases
terrestres. Mas precisa de muito mais,
pois a bandidagem brasileira é muito
grande.

E enquanto Siddartha medita, verdade
seja dita:
"Nunca tantos foram tão presos em tão
pouco tempo no Brasil."

Embora a maioria seja solta logo depois,
pelos pés-de-togas, os meliantes tiveram
que mostrar a sua cara e esconder
as suas algemas.

Por tudo que tem acontecido ultimamente
no Brasil, o POVO agradece à Polícia Federal,
e que ela não aceite as pressões dos bandidos
poderosos, e meta neles as algemas, seja em
pé-de-chinelo, pé-de-gravata, pé-de-sandália
ou pé-de-toga, ou ainda em qualquer pé-sujo
que se atrever a roubar o dinheiro do POVO.

O Brasil quer se livrar dessa corja de ratos.

ALGEMA NELES! BRASIL!

Saiba mais sobre a Polícia Federal e a
corrupção desenfreada AQUI, ou ainda
clicando no hiperlink do título da postagem
para assistir a um vídeo de uma operação
da Polícia Federal.

Confira também AQUI, o novo blog, Correio
Astral, agora com uma seleção dos
melhores vídeos musicais
internacionais.

07 May 2007

Marcus Vinicius da Cruz de Mello Moraes

Vinicius nasceu
em 19 de
outubro de 1913,
na Gávea, Rio de
Janeiro. Era um
libriano e um
"bon vivant".
Amou todas
as mulheres
e casou-se com
nove delas.
Seus parceiros
mais presentes
em sua vida foram: Tom Jobim,
Toquinho, Baden Powell, Carlos Lira e
João Gilberto, embora vivesse cercado
de uma turma infinita de artistas.

Poeta, diplomata, advogado, jornalista e
grande compositor, gostava de dizer:
"Sou o branco mais preto do Brasil."

Seu pai, Clodoaldo, funcionário público,
violinista e poeta, e sua mãe, Lidia,
pianista, o influenciaram no gosto
pelas artes. Foi no colégio primário,
aos nove anos, que ele escreveu seus
primeiros versos. Quando entrou para
o ginásio, no Santo Inácio, começou a
cantar no coro e encenar pequenas
peças de teatro. Esta vocação o seguiu
até tornar-se advogado pela Faculdade
de Direito do Catete. Enquanto estudava
trabalhava como burocrata do Instituto
dos Bancários, crítico de cinema e censor
do Ministério da Educação.

Tendo passado na segunda prova para o
Itamaraty, da primeira vez foi reprovado,
tornou-se um Diplomata. Mas em todos os
postos da diplomacia, vivia cercado de artistas
e escritores como Sergio Buarque de Holanda
e Pablo Neruda, fosse em Los Angeles, Roma,
Paris ou Montividéu. O carimbo do consulado
sempre ficava em segundo plano. "Esse carimbo
é uma chatice." - ele dizia.

Suas primeiras composições foram: "Canção Para
Alguém", "Loura ou Morena", "Dor de Uma
Saudade", "O Beijo Que Você Não Quis". Todas da
década de 30, quando lançou também o seu
primeiro livro de poemas: "O Caminho Para a
Distância". Seu primeiro samba chamava-se
"Quando Tu Passas Por Mim" que foi gravado por
Aracy de Almeida.

Com autor da peça "Orfeu da Conceição, Vinicius se
juntou a quem viria a ser o seu principal parceiro, Tom
Jobim. E foi aí que compuseram os clássicos da música
brasileira: "Eu e Você", "Lamento no Morro", "Se
Todos Fossem Iguais a Você", "Insensatez", "Eu Sei
Que Vou Te Amar", "A Felicidade", e "Chega de Saudade".

Vinicius era o diplomata da noite. Sua embaixada
verdadeira era a Bossa Nova, ritmo para o qual
contribuiu com todas as letras e em todos os bares.

Sobre os bares e bebedores ele afirmava: "Até hoje
não sei direito o que faz os caras mudarem de bar,
mas o fato é que, de repente, seu instinto nômade
e de caçador busca um outro ambiente para curtir.
Há, é claro, os fiéis-até-a-morte, mas em geral são
bebedores solitários que têm diálogo com o copo."

O samba era a sua casa. "Samba da Benção",
Samba do Avião", Samba em Prelúdio" e "Só
Danço Samba". Mas a mais famosa composição
foi "Garota de Ipanema", a mais tocada e
gravada no mundo todo depois de "Aquarela do
Brasil" de Ary Barroso. Nos festivais, no teatro
e na TV, seus parceiros eram tantos que ele não
dava conta: Edu Lobo, Vadico, Nilo Queiroz,
Francis Hime, Moacir Santos eram alguns dos
"parceirinhos do coração", como ele os chamava.
O parceiro chegava, sentava, e depois de algumas
doses de uísque saía uma obra-prima. "O uísque
é o melhor amigo do homem. É o cachorro
engarrafado." - ele dizia.


Muito místico, lançou um álbum em homenagem
aos Orixás chamado, "Afro Samba". Continha,
"Canto de Ossanha", Canto de Iemanjá",
Canto de Xangô" e "Lamento de Exu",
entre outras.

A mistura de poeta e dilomata durou até 1968
quando foi aposentado pelo Ato Institucional nº5,
decretado pelo Presidente Artur da Costa e Silva.
O AI-5 fechou o Congresso Nacional, cassou os
mandatos dos senadores, deputados, prefeitos e
governadores, interveio no Poder Judiciário,
demitiu Juízes, decretou estado de sítio,
suspendeu o hábeas-corpus e determinou censura
prévia na música, teatro e cinema.

Tudo isso aborreceu e deprimiu o Poetinha. Mas ele
logo superou e mandou tudo para "A Tonga da Mironga
do Kabulete", e foi se refrescar na "Tarde em Itapoã".
Apesar de tudo Vinicius era amado e cultuado nos 4
cantos do mundo. Seus parceiros e intérpretes se fossem
colocados em fila, ultrapassariam vários quarteirões. Era
mesmo um gênio. Amava as mulheres e dizia: "As muito
feias que me perdoem, mas a beleza é fundamental".

Escreveu 13 livros. Entre eles: "Forma e Exegese",
"Novos Poemas", "Pátria Minha", "Arca de Noé".
Foram 4 peças teatrais: "Orfeu da Conceição",
"As Feras", "Cordélia e o Peregrino" e "Procura-se
uma Rosa". E entre os 51 discos lançados,
encontram-se:
"Orfeu da Conceição", 1956. - "Vinicius e Caymmi no
Zum Zum", 1965. - "Vinicius em Portugal", 1971. - "
São Demais os Perigos Dessa Vida", 1972. -
"O Bem Amado", 1973. - "Deus lhe Pague", 1976. -
"Vinicius em Cy", 1993. - "Tom Canta Vinicius ao Vivo",
2000. - "Canção do Amor Demais", 2003. - "Trilha
Sonora do Filme Vinicius", 2005.

Vinicius era um mulherólogo, como gostava de se definir.
Foram 9 casamentos: A primeira foi Tati, com quem teve
Susana e Pedro. Depois Regina Pederneiras. Logo após,
Lila Bôscoli com que teve Georgina e Luciana. Em seguida
casou-se com Maria Lúcia Proênça, musa inspiradora de
(Para Viver Um Grande Amor). Depois Nelita. E depois
Cristina Gurjão, mãe de Maria. Com Gessy Jesse, uma
baiana, casou-se no ritual do candomblé. A penúltima foi
a argentina Marta Ibañez. E a útima foi Gilda Mattoso.
Sobre as mulheres dizia:"O que eu mais gosto na mulher
é a disponibilidade dela para o amor É a qualquer hora e
a qualquer tempo."


Vinicius morreu em 9 de julho de 1980. Se vivo estivesse,
completaria este ano, 94 anos de vida. Vinicius morreu como
quis, numa banheira de espuma, relaxando a tensão. Na
madrugada teve um mal súbito e foi socorrido pelo amigo
e parceiro, Toquinho. Mas sua hora havia chegado e ele
não resistiu. Tinha 66 anos de vida. No enterro mais de
mil pessoas compareceram ao Cemitério São João
Batista. Era uma quarta-feira nublada. Ás 17 horas o caixão
baixou à sepultura e o último adeus foi dado pelos fãs, ao
canto de suas músicas e poemas.

Entre os presentes estavam Chico Buarque, Tônia Carrero,
Carlos Drommond de Andrade, Gonzaguinha, Dina Sfat,
Cecil Thiré, Joyce, Nelson Motta, Clara Nunes, Milton
Nascimento, Fafá de Belém, Elis Regina. Uma das viúvas,
Gessy Jesse, era a mais pesarosa. Mas o mais consternado
de todos era Toquinho, parceiro de todas as horas. Foi ele
que segurou o pulso de Vinicius em seus últimos momentos
de vida. E viu a vida do amigo esvair-se em suas mãos.

Na Bahia, Mãe Menininha do Gantois, havia sonhado com
a morte de Vinicius. "Sonhei que alguém me falou que ele
morreu. Acordei com aquilo e pensei em perguntar pra
alguém. Agora vou rezar pra ele".

Vinicius era iniciado no candomblé e tinha direito ao Axexê,
uma cerimônia muito bonita e parecida com a missa de
sétmo dia dos católicos. O objetivo é saber do morto que incorpora
o pai de santo, o que ele vai precisar para sua vida após a morte.
E quais serão as suas últimas vontades.

Já são 27 anos sem Vinicius, mas suas músicas parecem
como novas. Jamais haverá outro poeta como ele no Brasil.
Numa de suas entrevistas declarou-se à sua terra natal,
o Brasil:

"Depois de 5 anos nos EUA, voltei em 1951 com tal sede
de Brasil, uma tal fome de Rio de Janeiro, uma tal gana
de olhos escuros, peles mulatas e seu divino aroma, bossas
e dengues, samba, molejo e malemolência, que encampei tudo
sem querer saber de onde vinha e parti para a mais completa
ignorância. Eu queria "comer" o Brasil. A coisa terrível com
o Brasil é que a gente precisa muito mais dele do que ele de
nós."

Se o Poetinha hoje estivesse vivo, o que diria
sobre o Brasil atual, o que cantaria e o que
escreveria?

Saiba mais sobre Vinicius de Moraes AQUI,
ou ainda clicando no hiperlik do título da
postagem para assistir a um vídeo do Poetinha.

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