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07 May 2007

Marcus Vinicius da Cruz de Mello Moraes

Vinicius nasceu
em 19 de
outubro de 1913,
na Gávea, Rio de
Janeiro. Era um
libriano e um
"bon vivant".
Amou todas
as mulheres
e casou-se com
nove delas.
Seus parceiros
mais presentes
em sua vida foram: Tom Jobim,
Toquinho, Baden Powell, Carlos Lira e
João Gilberto, embora vivesse cercado
de uma turma infinita de artistas.

Poeta, diplomata, advogado, jornalista e
grande compositor, gostava de dizer:
"Sou o branco mais preto do Brasil."

Seu pai, Clodoaldo, funcionário público,
violinista e poeta, e sua mãe, Lidia,
pianista, o influenciaram no gosto
pelas artes. Foi no colégio primário,
aos nove anos, que ele escreveu seus
primeiros versos. Quando entrou para
o ginásio, no Santo Inácio, começou a
cantar no coro e encenar pequenas
peças de teatro. Esta vocação o seguiu
até tornar-se advogado pela Faculdade
de Direito do Catete. Enquanto estudava
trabalhava como burocrata do Instituto
dos Bancários, crítico de cinema e censor
do Ministério da Educação.

Tendo passado na segunda prova para o
Itamaraty, da primeira vez foi reprovado,
tornou-se um Diplomata. Mas em todos os
postos da diplomacia, vivia cercado de artistas
e escritores como Sergio Buarque de Holanda
e Pablo Neruda, fosse em Los Angeles, Roma,
Paris ou Montividéu. O carimbo do consulado
sempre ficava em segundo plano. "Esse carimbo
é uma chatice." - ele dizia.

Suas primeiras composições foram: "Canção Para
Alguém", "Loura ou Morena", "Dor de Uma
Saudade", "O Beijo Que Você Não Quis". Todas da
década de 30, quando lançou também o seu
primeiro livro de poemas: "O Caminho Para a
Distância". Seu primeiro samba chamava-se
"Quando Tu Passas Por Mim" que foi gravado por
Aracy de Almeida.

Com autor da peça "Orfeu da Conceição, Vinicius se
juntou a quem viria a ser o seu principal parceiro, Tom
Jobim. E foi aí que compuseram os clássicos da música
brasileira: "Eu e Você", "Lamento no Morro", "Se
Todos Fossem Iguais a Você", "Insensatez", "Eu Sei
Que Vou Te Amar", "A Felicidade", e "Chega de Saudade".

Vinicius era o diplomata da noite. Sua embaixada
verdadeira era a Bossa Nova, ritmo para o qual
contribuiu com todas as letras e em todos os bares.

Sobre os bares e bebedores ele afirmava: "Até hoje
não sei direito o que faz os caras mudarem de bar,
mas o fato é que, de repente, seu instinto nômade
e de caçador busca um outro ambiente para curtir.
Há, é claro, os fiéis-até-a-morte, mas em geral são
bebedores solitários que têm diálogo com o copo."

O samba era a sua casa. "Samba da Benção",
Samba do Avião", Samba em Prelúdio" e "Só
Danço Samba". Mas a mais famosa composição
foi "Garota de Ipanema", a mais tocada e
gravada no mundo todo depois de "Aquarela do
Brasil" de Ary Barroso. Nos festivais, no teatro
e na TV, seus parceiros eram tantos que ele não
dava conta: Edu Lobo, Vadico, Nilo Queiroz,
Francis Hime, Moacir Santos eram alguns dos
"parceirinhos do coração", como ele os chamava.
O parceiro chegava, sentava, e depois de algumas
doses de uísque saía uma obra-prima. "O uísque
é o melhor amigo do homem. É o cachorro
engarrafado." - ele dizia.


Muito místico, lançou um álbum em homenagem
aos Orixás chamado, "Afro Samba". Continha,
"Canto de Ossanha", Canto de Iemanjá",
Canto de Xangô" e "Lamento de Exu",
entre outras.

A mistura de poeta e dilomata durou até 1968
quando foi aposentado pelo Ato Institucional nº5,
decretado pelo Presidente Artur da Costa e Silva.
O AI-5 fechou o Congresso Nacional, cassou os
mandatos dos senadores, deputados, prefeitos e
governadores, interveio no Poder Judiciário,
demitiu Juízes, decretou estado de sítio,
suspendeu o hábeas-corpus e determinou censura
prévia na música, teatro e cinema.

Tudo isso aborreceu e deprimiu o Poetinha. Mas ele
logo superou e mandou tudo para "A Tonga da Mironga
do Kabulete", e foi se refrescar na "Tarde em Itapoã".
Apesar de tudo Vinicius era amado e cultuado nos 4
cantos do mundo. Seus parceiros e intérpretes se fossem
colocados em fila, ultrapassariam vários quarteirões. Era
mesmo um gênio. Amava as mulheres e dizia: "As muito
feias que me perdoem, mas a beleza é fundamental".

Escreveu 13 livros. Entre eles: "Forma e Exegese",
"Novos Poemas", "Pátria Minha", "Arca de Noé".
Foram 4 peças teatrais: "Orfeu da Conceição",
"As Feras", "Cordélia e o Peregrino" e "Procura-se
uma Rosa". E entre os 51 discos lançados,
encontram-se:
"Orfeu da Conceição", 1956. - "Vinicius e Caymmi no
Zum Zum", 1965. - "Vinicius em Portugal", 1971. - "
São Demais os Perigos Dessa Vida", 1972. -
"O Bem Amado", 1973. - "Deus lhe Pague", 1976. -
"Vinicius em Cy", 1993. - "Tom Canta Vinicius ao Vivo",
2000. - "Canção do Amor Demais", 2003. - "Trilha
Sonora do Filme Vinicius", 2005.

Vinicius era um mulherólogo, como gostava de se definir.
Foram 9 casamentos: A primeira foi Tati, com quem teve
Susana e Pedro. Depois Regina Pederneiras. Logo após,
Lila Bôscoli com que teve Georgina e Luciana. Em seguida
casou-se com Maria Lúcia Proênça, musa inspiradora de
(Para Viver Um Grande Amor). Depois Nelita. E depois
Cristina Gurjão, mãe de Maria. Com Gessy Jesse, uma
baiana, casou-se no ritual do candomblé. A penúltima foi
a argentina Marta Ibañez. E a útima foi Gilda Mattoso.
Sobre as mulheres dizia:"O que eu mais gosto na mulher
é a disponibilidade dela para o amor É a qualquer hora e
a qualquer tempo."


Vinicius morreu em 9 de julho de 1980. Se vivo estivesse,
completaria este ano, 94 anos de vida. Vinicius morreu como
quis, numa banheira de espuma, relaxando a tensão. Na
madrugada teve um mal súbito e foi socorrido pelo amigo
e parceiro, Toquinho. Mas sua hora havia chegado e ele
não resistiu. Tinha 66 anos de vida. No enterro mais de
mil pessoas compareceram ao Cemitério São João
Batista. Era uma quarta-feira nublada. Ás 17 horas o caixão
baixou à sepultura e o último adeus foi dado pelos fãs, ao
canto de suas músicas e poemas.

Entre os presentes estavam Chico Buarque, Tônia Carrero,
Carlos Drommond de Andrade, Gonzaguinha, Dina Sfat,
Cecil Thiré, Joyce, Nelson Motta, Clara Nunes, Milton
Nascimento, Fafá de Belém, Elis Regina. Uma das viúvas,
Gessy Jesse, era a mais pesarosa. Mas o mais consternado
de todos era Toquinho, parceiro de todas as horas. Foi ele
que segurou o pulso de Vinicius em seus últimos momentos
de vida. E viu a vida do amigo esvair-se em suas mãos.

Na Bahia, Mãe Menininha do Gantois, havia sonhado com
a morte de Vinicius. "Sonhei que alguém me falou que ele
morreu. Acordei com aquilo e pensei em perguntar pra
alguém. Agora vou rezar pra ele".

Vinicius era iniciado no candomblé e tinha direito ao Axexê,
uma cerimônia muito bonita e parecida com a missa de
sétmo dia dos católicos. O objetivo é saber do morto que incorpora
o pai de santo, o que ele vai precisar para sua vida após a morte.
E quais serão as suas últimas vontades.

Já são 27 anos sem Vinicius, mas suas músicas parecem
como novas. Jamais haverá outro poeta como ele no Brasil.
Numa de suas entrevistas declarou-se à sua terra natal,
o Brasil:

"Depois de 5 anos nos EUA, voltei em 1951 com tal sede
de Brasil, uma tal fome de Rio de Janeiro, uma tal gana
de olhos escuros, peles mulatas e seu divino aroma, bossas
e dengues, samba, molejo e malemolência, que encampei tudo
sem querer saber de onde vinha e parti para a mais completa
ignorância. Eu queria "comer" o Brasil. A coisa terrível com
o Brasil é que a gente precisa muito mais dele do que ele de
nós."

Se o Poetinha hoje estivesse vivo, o que diria
sobre o Brasil atual, o que cantaria e o que
escreveria?

Saiba mais sobre Vinicius de Moraes AQUI,
ou ainda clicando no hiperlik do título da
postagem para assistir a um vídeo do Poetinha.

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