Cidade/pecaminosa/
feia/
desencantos
mil/
Cidade/
pecaminosa/
buracão do
meu Brasil.
Berço das
fraudes,
das feias
canções/
que explodem n'alma da gente/
és o altar das nossas emoções/ que
choram tão tristemente.
Você já foi ao Rio de Janeiro? Não?
Então não vá. Mas se você for muito
corajoso, vá com o carro blindado, ou
então vista uma armadura medieval
de máxima blindagem. Talvez assim
você esteja protegido quando puser
os pés na cidade pecaminosa, a
Cidade do Tiro, vulgo Rio de
Janeiro, berço da cadência e da
violência urbana. Cidade lotada
de falsos bacanas, decadente,
decrépita, caduca e com a
sociedade na lama.
Existem na cidade pecaminosa dois povos
distintos. O primeiro é o povo trabalhador,
pacato e cumpridor dos seus deveres como
cidadão. O segundo é o povo do crime. Uma
população que cresce assustadoramente com
ramificações por toda a cidade, contaminando
os poderes públicos estaduais e municipais.
Não há um só órgão público que não haja uma
autoridade ou servidor corrompido.
O povo criminoso da Cidade do Tiro está
ganhando a guerra diária da violência. Acuado,
o povo honesto e pacato fica à deriva, pois os
poderes públicos estão todos contaminados,
apodrecidos, corrompidos. O que fazer?
O Prefeito da Cidade do Tiro tem fama de
maluco, e o Governador está mais perdido do
que bala traçante em festa de São João. Está
cheio de boas intenções, mas aos poucos vai
sendo tapeado pelo povo do crime. E de boas
intenções o inferno está cheio. As ações que
deveriam ser imediatas para mudar o quadro
da criminalidade, eliminando o povo do mal,
são adiadas constantemente. E o povo do bem
não pode esperar mais.
A política da Cidade do Tiro é um lixo.
E os políticos os lixeiros.
Na Educação , um professor ganha 450 reais
por mês para enfrentar alunos armados em
sala de aula. Isso se estivessem empregados. Pois
apesar de terem passado nos "concursos públicos",
nunca são chamados. Os alunos voltam para casa
e vão aprender com o povo do mal os crimes mais
corriqueiros: matar, roubar, estuprar, traficar,
contrabandear. E quando são pegos, o "Estatuto da
Criança e do Adolescente", os protegem e não ficam
mais de um ano no estabelecimento correcional, mesmo
que arrastem uma criancinha do lado de fora do carro,
pelo cinto de segurança, por 7 quilômetros, pelas ruas
da Cidade do Tiro.
Na saúde as contaminações hospitalares são o ponto alto
da administração. Hospitais sucateados. E as verbas que
deveriam ajudar na saúde da população, são afanadas
pelos servidores e administradores públicos, em parceria
com as empresas privadas, claro.
Nos esportes os clubes estão falidos e são devedores de
milhões de impostos ao governo, mas não pagam. Mas o
governo gasta uma fortuna para sediar o PAN. Campeonato
de balas traçantes: PAN-PAN-PAN. E enquanto isso o
povo do bem vai morrendo aos poucos.
Na Justiça a corrupção desenfreada e a impunidade tem o
seu braço mais forte. O povo do crime leiloa e vende as
sentenças para o sócio bandido que pagar mais.
O crime na Cidade do Tiro não é mais privilégio dos
bandidos pobres. Verdadeiras quadrilhas lotearam a
cidade e se associaram às milícias para desenvolverem
estratégias do bom funcionamento do crime, tendo as
autoridades como sócios, nos contrabandos de armas,
drogas, máquinas caça-níqueis, no jogo-do-bicho,
nas loterias estaduais e municipais, nos bingos,
nas falsificações, roubo de cargas, sequestros,
extorsões, prevaricações e peculatos.
Há fraude até mesmo na premiação do
carnaval.
O caos é total. Todo tipo de crime é cometido. Das
quadrilhas de servidores públicos aos camelôs que
vendem remédios abortivos nas ruas. Se Al Capone
ainda estivesse vivo e visitasse a Cidade do Tiro, não
passaria de um simples aprendiz da marginalidade
Carioca.
E as crianças que herdarão esta cidade. Como serão
e o que farão no futuro? Gerações inteiras de
crianças estão sendo dizimadas pelos maus
exemplos da corrupção instalada no Poder Público
há décadas. O que o Poder Público apresenta às
crianças são os exemplos mais criminosos possíveis.
O Estado é o principal criador de futuros bandidos,
sejam os de gravata ou os de chinelos. Ao invés de
dois caminhos para que a criança opte por um deles,
o Estado só dá apenas um: o da marginalidade.
A Cidade do Tiro está inchada. Para cada 5 cidadãos
um é favelado. Favelado é aquele que empobreceu e se
mudou para a favela, pois lá o aluguel é barato e ele não
paga luz, nem água, nem TV cabo, é só fazer um gato.
Mas favelado é também aquele que veio expulso de sua
cidade natal por falta de melhores condições de vida. Os
políticos corruptos dessa regiões se encarregam de
expulsá-los cortando-lhes toda a dignidade e meios
de subsistência, através da falta de emprego. Então,
sem terem como sobreviver, populações inteiras de
nortistas, nordestinos, sulinos, centroestinos,
das capitais e dos municípios do interior do
Brasil, em êxodo, como numa tragédia
grega, migram para o sudeste, e
acabam na
Cidade
do
Tiro.
Quando lá chegam, ajudam a engrossar as favelas
já repletas de gente. Tudo só para poderem ficar
mais próximos das praias e rios poluidos, da Baía
Poluida da Guanabara, do transporte lotado e
mal cheiroso, das doenças e dos serviços públicos
corrompidos. Chegam e invadem as florestas, os
manguezais, as áreas públicas, e levantam barracos
ao lado das mansões que também invadem tudo.
Por fim vendem o seu voto ao político corrupto que
promete mantê-lo ali na Cidade do Tiro para sempre.
E assim o tempo passa. As gerações passam. As populações
crescem, a corrupção cresce, o crime cresce,
as doenças crescem, o armamento do povo
do mal cresce, o sofrimento cresce, os choros
das mães crescem, a indignidade cresce, o
medo cresce, a loucura cresce. E a vergonha
do Cristo Redentor, de braços abertos
sobre a Cidade do Tiro, também cresce
enormemente. Candidato a ser uma das
maravilhas do mundo, o Cristo também
se vê sem saída. E ainda assim abençoa cada
bala perdida.
A Cidade do Tiro está assim: comprometida
até a raiz dos cabelos. Totalmente à deriva tal
qual as barcas que fazem a travessia do Rio para
Niterói. Em caso de acidente, se você não morrer
afogado, morrerá contaminado palas águas da
Baía Poluida da Guanabara.
É uma CIDADE perdida.
Mas se você ainda pensa em ir para a Cidade do
Tiro, pense duas vezes. Se você não se importa com
sua vida e gosta de bang-bang, então seu lugar é lá.
E nem precisa levar a sua arma, pois você pode
comprá-la, de qualquer calibre e em qualquer
esquina da cidade. Sendo assim, só nos resta desejar
bons tiros e boa morte.
Mas se você ama a vida e tem juízo suficiente, vá para
bem longe da Cidade do Tiro e reze para esta cidade
perdida e sem rumo.
"Cidade pecaminosa/ feia/ desencantos mil/
Cidade/pecaminosa/buracão do meu Brasil."
Saiba mais sobre a Cidade do Tiro AQUI, ou ainda
clicando no hiperlink do título da postagem para
assistir a um vídeo sobre a violência na Cidade do
Tiro.
Confira também AQUI, o novo blog beta, Correio Astral,
agora com uma seção dos melhores vídeos musicais
internacionais.

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